Terça-feira, Novembro 24, 2009

Pedreirada!, por Bulhão


Para quem tinha gostado tanto do Código da Vinci como eu, este último Dan Brown foi uma enorme, uma grandiosa decepção! Dan Brown demorou não sei quantos anos para fazer este Símbolo Perdido. Não se percebe porquê. Para repetir uma fórmula de sucesso, como é o caso, mais valia fazer um livro por mês.
Neste novo livro é tudo decalcado dos outros, especialmente do Código da Vinci - o assassino psicótico que repete Silas, outra gaja boa à volta de um segredo, uma perseguição permanente, alguma indefinição na caracterização ambígua dos polícias, o mesmo Langdon estereotipado. Só que, desta vez, para além do clima déjá vú, os segredos não têm a força do livro anterior, eu diria que parecem até, segredos de polichinelo. O livro faz lembrar aquela brincadeira que jogávamos em miúdos e que era a casa ao tesouro: os adultos faziam uns quebra cabeças com umas adivinhas e tal, a pequenada, nós, ia decifrando um e outro e passava ao seguinte até que no fim encontrava um tesouro invariavelmente ridículo que a mim pessoalmente me dava uma azia dos diabos pela trabalheira que tinha custado. Foi o que achei dos mistérios do dan brown neste livro.

Além do mais, há aqui uma inquestionável reverência do autor para com a Maçonaria que não teve para com a Opus Dei no Da Vinci. Ora a mim, não me agrada nem uma nem outra organização. Aliás, para dizer a verdade, até tenho a Maçonaria como uma organização ainda mais perniciosa pela razão simples de que, neste momento, é a Maçonaria e não a Opus Dei aquela que tem mais poder...Tentacular. por isso não encaixo sem espernear tentativas de branqueamento maçónico ainda que venham da pena de um aparentemente inocente escritor de perseguições norte americano.
Por falar nisso, outra coisa de que não gostei foi a tentativa forçada de Brown em impingir-nos os States. O Símbolo Perdido parece um mega prospecto de uma agência de turismo a promover a América e Washington DC. Brown tenta dar patine aos monumentos de Washington e às suas instituições, recorrendo aos tais mistérios que estariam associados ao crescimento daquela cidade.Mas é forçado: Washington não é Roma, nem Londres nem Florença nem Madrid... Quanto a mim, não pega. Não fiquei nada mais interessado em ir a Washington por causa do livro. O contrário do que me aconteceu quando li o Da Vinci, que me suscitou interesse em voltar a Paris ou a embrenhar-me em leituras sobre a Ordem do Templo.

Uma vez que a escrita de Dan Brown não tem um brilho por aí além, e que a narrativa, comprova-se agora, é standardizada, talvez tenha sido isso que falhou neste último livro: enquanto o mistérios que estão na base do Da Vinci são, de facto, ricos e interessantes, os que estão na base d´O Símbolo Perdido, parecem forçados e são descritos de uma forma parcial: por um claríssimo simpatizante da maçonaria! Este Símbolo Perdido é, afinal, uma grande oportunidade perdida.

Domingo, Novembro 22, 2009

és / ás, por Cão

és ar /serás fumo

és água /serás terra

és pedra /serás areia

Sexta-feira, Novembro 20, 2009

Paradoxo

A puta tão feia que morreu virgem.

Uma Casa tipo Maison, ou Un Vin tipo Tintol, por Monsieur Dupont


(post publicado em tempos idos no Tapor e que agora é suscitado pelo anterior da contita do Abramovich. Enfim, cada qual tem os Abramovichs que merece).

A primeira vez que fui a Paris com alguns cobres no bolso, levava já algumas luzes da vinhaça portentosa a esquadrinhar por ali. Tinha “estudado” algumas nuances da coisa e sabia que não conseguiria jamais chegar às colheitas consagradas ou às colheitas de antigas de referência. Mas, já experiente na forma como por cá saía o Barca-Velha e o Pera-Manca, com preços aceitáveis de 6 a 10 contos a botelha no ano de edição, contava trazer uns néctares para afiambrar. Nos meus armários imensos de marcas e portentos, ribombavam os grandes de França como Le Pin, Échezaux, La Tâche, Romanée-Conti, Château Haut-Brion, Château D`Yquem, Petrus, Cheval-Blanc, Pichon Longueville, etc.

Com os olhos a brilhar de gula cobiçosa deixei a maria nos perfumes do rés-de-chão das Galerias Lafayette, ali ao pé do hotel e ala que se faz tarde pró último andar e para a secção Gourmet. Corri à pressa as enormes e gigantescas bancadas de garrafeiras imensas por corredores infindos, mas foi demasiado à fuçanga e não reconheci nenhum nome. Que diabo, milhentos vinhos e nenhuma cara conhecida? Obriguei-me a respirar fundo e recomecei numa ponta devagar, devagarinho. Estão escondidos é isso, há que ver com calma, que a adega é inimiga da pressa.

Esmiucei de novo alguns milhares de marcas e colheitas, mas nada, nenhum Margaux, nenhum Cos D`Estournel, nada de Latour, zero de Guigal. Mau Maria, aqui há gato. Ajeitei a gravata, estiquei as mangas do casaco e fui de garção. Puxei do meu melhor francês e questionei um serviçal com farda de Almirante: - Pardon Monsieur, je voudrais savoir oú sont les boteilles de Romanée-Conti, il niá quelqun par ici?

O Contra-Almirante viu-me imponente e engravatado e afivelou logo uma cara de satisfação e simpatia que me reconfortou, isto sim é serviço, mas as palavras seguintes dele deixaram-me algo inquieto: - Ah, non, Monsieur les grand vins son par lá, venez, venez...

Lá segui o Capitão de Fragata, mas o homem foi para um canto com um armário e um balcãozito, pediu-me desculpa pela ligeira espera e foi buscar uns molhos de chaves, embolsou uma série de pequenos catálogos, pegou num pano de camurça bordeaux e calçou umas imaculadas luvas brancas..., mau, agora é que estava mesmo desconfiado!

O Capitão de Mar e Guerra, indicou-me então o caminho e levou-me na direcção quase oposta das milhentas garrafeiras que tinha visto. Seguimos para junto de uns enormes armários cinzentos, envidraçados e fechados à chave. Logo ali vi que já tinha feito merda. Estava noutra galáxia, mas já era tarde para parar a marinha. O homem abria já um dos armários centrais climatizados, humidificados e engalanados e retirava para fora com as luvas imaculadas uma botelha de Romanée-Conti: - Voilá, Monsieur!

Olhei para as irmãs que permaneciam deitadas sobre o vidro e vi o preço do Romanée-Conti, última colheita, que me estava a ser mostrada. Engoli em seco e procurei disfarçar, mas o almirantado não me deixou alternativa senão levantar a bandeira branca: - Excuse moi, je voudrais voir des autres boteilles et ensuite je le dit quelque chose...

O Almirante percebeu, não foi incorrecto, nem fez a cara que lhe esperava do “mais um pelintra, que me enganou pela gravata”, foi simpático, despediu-se, disse que estava às ordens, limpou a garrafa, ajustou vários botões e fechou aquilo tudo.

E eu fiquei ali estupefacto, de nariz a correr os vidros e a perguntar a mim mesmo como poderia haver dinheiro para beber Aquilo: CHÂTEAU LATOUR, 1er Grand Cru Classé, 89, 80 Contos, CHÂTEAU MARGAUX, 1er Grand Cru Classé, 86, 120 Contos, PETRUS, 86, 200 Contos, ÉCHÉZAUX, 88, 400 Contos, LA TACHE, 98, 450 Contos, ROMANÉE-CONTI, 95, 600 Contos.

Terça-feira, Novembro 17, 2009

Serão Dólares? Serão Dinares? Neve não é certamente.., por Basbaque

E inda dizem que há crise? Então vejam a contita que o Abramovich pagou num restaurante em NY. Já agora, Grunfo, o que é que achas do vinhedo? É coisa séria, claro... E para quantas pessoas é que te~´a sido este jantar? E a gorja de 7 mil dólares? Quem pode, pode...

Porque não ficam em casa?, por Violino

Atenção a este vídeo. Ele dá-nos a conhecer, em primeira mão, o fantástico ambiente das casas sportinguistas deste país. Nele podemos ver um presidente de um clube de gente fina a fazer solos de mariachis, um comentador desportivo a cantar e a dançar um hino e outras curiosidades. Chamo a vossa atenção para um indivíduo vestido com uma t shirt verde alface que aparece no fim, no canto inferior direito e que, se não estou em erro, é o sá pinto. Nunca fui a uma festa de nenhuma casa zbordinguista deste país. Mas se forem todas como esta, digam-me quando é a próxima que eu quero lá estar.

Segunda-feira, Novembro 16, 2009

Cãozoada, por Boby Peru


O Gaspar contou-me que um dia destes bateram-lhe à porta, foi abrir, e era um senhor que lhe disse assim:
- Bom dia. É o sr. Gaspar?
- Sim, sou eu.
- Desculpe vir aqui a sua casa, mas há um problema... É que o seu cão enrgavidou a minha cadela e acontece que eu tive que comprar a pílula do dia seguinte para ela. Foram 80 euros e vinha pedir que me devolva o dinheiro uma vez que o seu cão é o responsável pelo sucedido.

Pergunto? E vocês, o que é que fariam nesta situação?
a) Pediam o teste de ADN que se confirmasse a paternidade do Ricky? Sim, como é que prova que o filho era do meu cão? Inda para mais toda a gente sabe que a sua cadela é muito promíscua...
b)Alegavam que foi a cadela que se meteu com o cão e não o contrário. Optando por esta hipótese é possível engatilhar o discurso para virar o feitiço contra o feiticeiro, tipo: «sempre eduquei o meu cão nos mais sólidos valores e princípios morais entre os quais figura, desatacado, o valor da castidade. Ora tendo em conta o baixo nível moral da sua cadela que desviou inviamente o meu cão para o caminho da perdição, sou eu que lhe exijo uma reparação devida pela perda da virgindade do animal»
b) Não podia ser o meu cão. O meu cão é paneleiro.
d) Outras...

Sexta-feira, Novembro 13, 2009

Azarados!, por Gastão


Zé socas deve ser o primeiro ministro mais azarento do mundo. Diz que são «cavalas» mas o certo é que não há modo de justificar tantos casos em que aparece envolvido como, por exemplo:
- O caso da licenciatura na famigerada Independente ( a mesma onde se «licenciou» o amigo vara);
- o caso Morais das 4-cadeiras-4;
- O caso fripó;
- O caso das pressões aos magistrados que investigam o caso fripó;
- O caso do aterro da cova da beira;
- O caso das casinhas da Guarda-Covilhã;
- O caso da compra do apartamento de luxo;
- O caso do silenciamento do Jornal de Sexta da TVI em véspera de eleições;

Agora é o caso Face Oculta com as escutas a envolvê-lo em conversas co amigalhaço dos velhos tempos, vara de seu nome. Parece que as entidades judiciais competentes resolveram guardar dezenas de gravações de escutas entre os dois. Dezenas! Matérias inocentes, claro, falavam de gajas, do Benfica e de poesia lírica portuguesa do século XVI. A Justiça portuguesa interessa-se muito por poesia, gajas e bola.
Em suma, o homem tem muito azar - mal damos um pontapé numa pedra tocada por ele e sai de lá... Sucata. É esse padrão que toda esta mixórdia de casos e casinhos e casões revela: azar... Azar do país que tem que aturar um governante destes!

Terça-feira, Novembro 10, 2009

Gina – A Verdadeira Trombeta Da Revolução (Gina – Parte 1), por Rodox


Nos dias seguintes à doideira televisiva do pós-25 de Abril, vim para a rua e para a cidade, expectante da novidade e mudança. Afinal e contudo, prós meus olhos de puto de ciclo nada tinha mudado. Ao contrário da Tv, aqui por Coimbra não havia soldados pelas ruas, chaimites nas praças, ou cravos nas lapelas. Os prédios estavam na mesma, as pessoas passavam na mesma a caminho dos empregos e demais destinos, cafés normais, aulas normais, autocarros normais, jornais normais. Ora, porra, mas afinal o que mudou agora que caiu a recém descoberta ditadura e que se vai fazer o homem novo? Frustração total. O “anormal”, o “revolucionário” estavam escondidos na Tv ou em Lisboa, ou então reservados ao mundo adulto. Que se lixe a revolução!, tudo na mesma comá lesma!

De repente, poucos dias a seguir, tropecei na revolução! Nos quiosques e bancas de jornais, apareceram as Ginas. E não eram fechadas, mas abertas e escancaradas. Cenas hard de enrabadelas, esporradelas e canzanas, não a posição, mas mesmo com canzanas enormes e uivantes. A doideira pornográfica explodiu e as Ginas - suprema bandeira e vanguarda -, apareciam agora pelas ruas a fora, com pompa e muita gosma. Viva Revolução! Mas mais, não só a coisa era escancarada, como toda a gente se estava nas tintas para os putos ranhosos, que descaradamente gastavam em Ginas a féria da refeição da cantina e do bilhete de troley!

Foi aí e só aí que me apercebi da mudança revolucionária. Agora sim havia revolução, abertura e liberdade. Pouco depois já se viam os cartazes a anunciar o Último Tango Em Paris e liberdade das liberdades, o Garganta Funda começou a passar no Avenida. Os cartazes de cinema que anunciavam a onda porno eram explícitos e duros. A horda moralista andava de bola baixa e só alguns anos depois é que se começaram a ouvir as primeiras vozes contra o desparrame. Quais cravos, quais chaimites, quais cabeludos, quais carapuças, Gina, meus caros, a Gina é que foi a trombeta anunciadora da revolução e a grande viragem em relação à antiga senhora. Que aderiu ao porno também, vintage, claro!

Domingo, Novembro 08, 2009

Nunca vi um porco com gripe, por Cão


A famigerada Gripe-A, vulgo Suína, anda por esse mundo afora muito contentinha a papar imbecis que a temem mui piamente. Pouca gente parece ter percebido que a dita epidemia não existe. Mais: que se trata, de facto e deveras, de uma falcatrua à escala planetária das sinistras farmacêuticas, cujo trabalho é inventar doenças para os medicamentos em armazém. Lembram-se das vacas malucas? Lembram-se das galinhas doidas? Que é feito dessas raparigas? Hum?
Cada vez que me aparece no televisor o senhor doutor Francisco George, aquele senhor Director Nacional da Saúde cuja configuração facial, agravada pelo incompreensível risco ao meio, recupera no meu mesencéfalo o terror dos duendes dos contos de mentir à infância, cada vez que aquele senhor me aparece, assim português suave e definitivamente provisório, eu ralho cá para com o meu fecho-éclair: “Mas q´ais gripes ás, pá, mas q´ais gripes ás, pá!...”
De modos que é assim: somos um país de honestos palermas. Em plena República, apareceu a senhora-de-fátima a voar por cima duma azinheira. Cristo espadeirou na Batalha de Ourique. O padre Fontes organiza todos os anos aquela vigarice de Vilar de Perdizes. O Jardim é dono da Madeira. E até o Sporting de Braga, terra de arcebispos e de calhaus dotados de olhos, já mete medo. Não sei que raio faça à nossa vida, sinceramente e de facto e deveras.
À nossa vida, sim, que a Gripe-A teima em transformar em Vida-B. De Burro.

in Rosário Breve nº 128 - in www.oribatejo.pt

Quarta-feira, Novembro 04, 2009

Mas, Afinal, Porque é que eu Ainda Vou Almoçar ao Gordo?, por Mr. Hardy


Porque é barato. É uma razão mas não é suficiente. Já não chega aquela vez em que pedi um robalo e a empregada vai para dentro, volta e diz-me assim:
- O sr desculpe mas o patrão manda dizer que hoje é um euro mais caro. É que o peixe é fresco...

Hoje o Gordo voltou a atacar. O menu era leitão assado e cabrito à não sei quantos. Mandávamos vir uma dose de cada, eu e o Asdrúbal. Veio. Aquilo estava intragável, só gordura, um cabo dos trabalhos para encontrar uma lasca de carne que se visse. A meio o Gordo veio à nossa mesa e perguntou-nos, como sempre:
- Atão o almocinho? Tá mais ou menos?
E eu respondi que desta vez nem por isso. Demasiada gordura como era visível. Ao que o camelo do Gordo retorqiu:
- Deixe lá. Dá pra se aguentarem até ás 3 não dá? Depois merendam qualquer coisa noutro lado.
...E embrulha! Quem é que me manda armar em esperto e reclamar da comida?

Segunda-feira, Novembro 02, 2009

Piero Manzoni, por PrimaDaObra


Num dia destes andava o núcleo duro do Porco em peregrinação entre as estantes de livros e as estantes de vinhaças duma mercearia do Belmiro, quando um confrade saca de um expositor uma latita de sucedâneo dinamarquês feito de ovas de lampreia. Questionado, o gourmet avança com a palavra “Caviar”. O Xiita, que é rapaz de poucas palavras, mas de fácil sentença, opinou de imediato: “Caviar? Isso? Melhor do que isso cago eu e não sou esturjão!”

Piero Manzoni, um famoso pintor italiano de arte contemporânea dos anos 50 e 60, na senda de Duchamp e do seu famoso urinol, resolveu fazer um manifesto anti-pop-art e um ataque directo ao mercantilismo da arte e das galerias da altura e cavalgou a onda dos limites da arte, do surrealismo e da arte dada e zás, se bem o pensou comó Xiita, melhor o fez.

E vai daí, em 1961 tratou de cagar – merda genuína dele – para 90 latas. 90 latitas de merda italiana, genuína, de artista. O difícil deve ter sido acertar nas latitas que eram pequeninas e aí se revelou a mestria da coisa. Depois do alivio, Manzoni fez selar as latitas, como mandam as regras e os standards da indústria alimentar. Numerou-as, assinou-as e vendeu-as ao peso, sendo a grama de lata de merda vendida ao mesmo preço da grama de oiro na época. As latas além de numeradas e assinadas têm três faces ou inscrições que dizem sucessivamente : “Merda D`Artista”; “Merde D`Artiste” e “Artists Shit”. A autenticidade do produto é garantida pela inscrição: "Merda d’artista, numerata, firmata e conservata al naturale".

Feita a cagada e o embalamento do “caviar”, Manzoni fez uma das suas habituais exposições e lá meteu as latitas de “Merde D`Artiste”. Vendeu tudo como papos-secos. Hoje as latas de Merda do Manzoni são um ícone da arte conceptual, da qual se considera Manzoni um precoce percursor, constituindo tais merdas uma raridade que os coleccionadores e museus se cagam todos para obter.

E aqui chegados não resisto a contar duas histórias das latas que conheço.
A primeira passou-se com o Randers Museum of Art of Danmark em 1994, que para uma exposição e retrospectiva, pediu emprestada uma latita do Manzoni à John Hunov Colection. Pelo meio da exposição a latita começou a verter, merda como é bom de ver, e vai daí, foi tudo para tribunal discutir indemnizações milionárias. O Museu defendeu-se considerando que se tratou da degradação natural da lata. A John Hunov Colection contra-atacou dizendo que o Museu expôs a lata à luz, coisa que não devia ter feito e estava recomendado de não fazer. Enfim mais uma merda para os advogados ganharem dinheiro.

A segunda história catita da latita, passou-se na Tate Gallery de Londres que também tem uma lata de merda do Manzoni. Acontece que a lata começou a verter. Merda, como é evidente. E a Tate ficou sem saber o que fazer. Solda-se a lata? Mete-se a merda que escorre lá pra dentro? ou deixa-se a merda escorrer à vontade até à liquefacção completa da merda e da lata? A intervenção tinha o “pecado” de se estar a alterar a obra de arte. Ao invés “o deixar andar” tinha a chatice de aquilo cheirar mal que se fartava, o que incomodava os visitantes e conspurcava a galeria. Para desempatar os seus próprios experts, a Tate Gallery chamou especialistas de fora que pensaram o malcheiroso assunto. Estes opinaram maioritariamente que não se pode intervir na obra de arte sob pena de a adulterar e de modificar a intenção do artista, altura em que se mata a obra de arte; contudo, para se resolver o problema higieno-sanitário, a latita de merda a escorrer devia ser posta dentro de um cubo de acrílico, transparente, estanque e isolante, onde a obra de arte pudesse seguir o seu percurso natural, longe da mão do homem e longe do nariz também. Brilhante. A Tate acatou e assim fez.

Warholl vendeu a lata de Sopa Campbell`s, mas Manzoni vendeu Latas de Merda e ao preço do oiro. Que é de Artista é, mas será arte?

Sábado, Outubro 31, 2009

A Verdadeira Máquina do Tempo, por Verne

O you tube é tecnologia moderna. è, pois, uma coisa virada para o futuro, como o são todas as tecnologias, quando surgem.Mas é giro como esta tecnologia moderna nos permite reencontrar pérolas que julgávamos perdidas, para sempre, no passado. Serge Gainsbourg e Anamour:

Quinta-feira, Outubro 29, 2009

Relato de Futebol Num País de Merda!, por Badaró

Vai vara com a bola e dá para penedos filho que endossa a penedos pai. Penedos pai faz um compasso de espera e toca para godinho que tabela com morais que toca para felgueiras. Felgueiras tabela com zezito que entra pela linha e centra para smith. Smith cobre a bola e dá de calcanhar para grande guerreiro de shaolin que centra rápido para isaltino que levanta e coloca com a cabeça em avelino que isola valentim. Valentim recua e dá para martins que passa a lopes (da mota), que jinga para ferro que faz um passe longo para loureiro que tabela para coelho que devolve a vara que... O povo aplaude, marcelino diz que muito bem, tavares que sim senhor, zé pedro canta o hino e manel pinho é expulso porque fez uns cornos ao adversário. Viva a bola! Viva o benfica! Viva a pátria!

Quarta-feira, Outubro 28, 2009

Jesus é o Senhor!, por Aleluia


o Glorioso lá goleou mais uma equipa. O resultado final, em mais uma goleada estrondosa foi 6-1. Mas as pessoas preferem falar do comportamento grosseiro do nosso Mister, Jorge Jesus, que ao quarto golo mostrou quatro dedos ao manel machado pa fazer pirraça. o manel machado é apenas um dos maiores grunhos do futebol português e o nosso Jesus, há que admiti-lo com toda a frontalidade, em matéria de grunhice também não lhe fica muito atrás.

Mas dito isto a questão que subsiste é a seguinte: é preferível ter um treinador bem falante, bem vestido e muito elegante que perca os jogos todos ou um treinador de mau ar e discurso cavernícola que só sabe ganhar? O ideal era que o nosso treinador reunisse as duas qualidades, mas se tivermos que optar?

Por mim não tenho dúvidas: prefiro um mal falante ganhador a um bem falante perdedor! O Glorioso até já lá teve o Quique que tem veia para o verbo, mas a equipa jogava que parecia um susto. E agora com o Jesus é o que se vê: 8-0, 5-0, 6-1, etc, etc... Não há dúvida que, pessoalmente, eu seria mais facilmente amigo do Quique que do Jesus, mas se é para termos um bem falante à frente da equipa, então contratemos o Professor Marcelo que é um gajo que fala como ninguém. Grunho ou não, para mim, não há qualquer dúvida: Jesus é o Senhor!

Segunda-feira, Outubro 26, 2009

Atenção: Há Algo de Novo no Cinema Português, por Oliveira


Alguma coisa está a mudar no panorama recente do cinema português! Primeiro foi o excelente Aquele Querido Mês de Agosto, um filme brilhante de Miguel Gomes que estilhaça literalmente as fronteiras entre o documentário e a ficção. E agora é o Ainda Há Pastores? de Jorge Pelicano.
Retornando, como Miguel Gomes, ao epicentro do Portugal rural e profundo, Ainda Há Pastores? abre caminhos, na senda de Aquele Querido Mês de Agosto. Parece que estamos a dobrar uma geração de filmes de acção realizadospor portugas que se limitavam a seguir a cartilha das produções americanas (nada de novo, portanto!). Não é que eu tenha alguma coisa contra a Soraya Chaves de Call Girl ou contra a mesma senhora no Crime do Padre Amaro, não senhor, é evidente que não, Deus me livre... Mas já vimos aquilo com mais Sorayas, menos Basingers, mais Pfeiffers, menos Jolies. Os pastores da serra da estrela e os cromos das aldeias das Beiras que fazem deles próprios nos filmes do Pelicano e do Gomes,podems ser feios comá noite, mas também têm o seu lugar. Não há Sorayas nem Basingers que guardem ovelhas aos domingos e feriados com a categoria do Ramiro. Nem a Uma Thurman chega aos calcanhares da miúda de Arganil a dançar a música do Marante!

Quarta-feira, Outubro 21, 2009

Vamos Eleger o Lambe Botas do Ano, por LBV


Nas minhas vagens pela blogosfera, reparei neste interessante concurso e fiquei curioso de saber quais seriam os 5 maiores lambe botas do ano para a malta do Porco. É verdade que o ano ainda não acabou, mas para já para já, os 5 maiores lambe botas do ano, para mim, são, do maior para o menor:
1º - miguel sousa tavares - bem destacado dos outros porque é um indivíduo que vendeu tudo ao actual poder político: a coerência, as convicções, os valores e a honestidade intelectual.
2º joão marcelino - este indivíduo é o que se pode chamar a voz do dono no seu máximo esplendor. Não conheço muita gente com este grau de lambe-botice...
3ºfátima prós e prós - apesar se ser muito, mas muito canininha, tem um programa semanal em horário nobre e possui o poder que daí advém. É tão medíocre quanto fiel ao sistema e ela é mesmo muito medíocre.
zé pedro - pela enorme decepção do seu comportamento. Fez a música do ingenheiro e a coisa estava a render e ele calado a cavalgar a onda... Mas quando percebeu que a a coisa estava a mudar, veio demarcar-se publicamente da letra.
o silva pereira - um lambe botas tão radical, mas tão radical que é quase um clone da bota que lambe...

E ainda duas menções desonrosas para:
o pedro abrunhosa - ex-contestário político que se atirou ao cavaco como uma fera e que no mandato do ingenheiro nem buliu; e o bettecourt resende que até chateia com aquela máscara de comentador imparcial ao serviço do poder ( a fazer lembrar outra lambe botas menor, o carlos magno).

Terça-feira, Outubro 20, 2009

Brian Ward-Perkins, A Queda de Roma e o Fim da Civilização, por M. Aurélio


Editado pela Aletheya(2005), este livro foi, para mim, uma espécie de introdução ao tipo de pensamento próprio de um arqueólogo. Trata-se, pois, de um registo muito diferente daquilo que são as minhas leituras padrão. E como é que pensa um arqueólogo?

Pensa, dando ênfase a pequenas coisas que passam aos outros mais ou menos despercebidas. Procura fazer falar as coisas - as ânforas, as casas, a cerâmica, as inscrições, as moedas, a economia (os bens de consumo, a alimentação, etc)... Partindo de vestígios arqueológicos dispersos pelo vasto império romano, Perkins contesta aquilo que considera ser a tese politicamente correcta conveniente ao actual status quo político defensor de uma unidade europeia. Esta tese defende uma integração de base entre bárbaros e romanos e, portanto,a noção de que as «invasões bárbaras» foram uma espécie de desenvolvimento do Império para novas formas sem rupturas substanciais.

Pelo contrário, recuperando o conceito proscrito de «civilização» (que deixa de entender como designação de superioridade de uma sociedade em relação a outras, mas como um grau maior de complexidade de uma sociedade – o caso romano), Perkins defende a posição segundo a qual a queda do Império correspondeu, de facto, a uma crise e ao fim de uma civilização. Embora tenha o cuidado de notar que a história do império do oriente foi diferente, Perkins sustenta que a queda do Império Romano foi uma mudança civilizacional e não um desenvolvimento em continuidade. Ás vezes é bom que nos lembrem que a História deve ser escrita com objectividade mesmo que isso não convenha à propaganda mais conveniente ao regime. E, desse ponto de vista, o «pensamento arqueológico» pode ser uma verdadeira lição.

Segunda-feira, Outubro 19, 2009

100? 50. 40? 20. 10? 5, por Joli Jumper


Sim, na Tunísia negoceia-se TUDO! Mais: lá negocia-se tudo de tudo... exemplos? A coisa começa assim:

"- Quanto custa?

- 100 dinares.

- O quê?! 1 dinar é o que isso vale!
- 90. Isto muito trabalho. Boa qualidade!
- Nem pensar. Muito obrigado. - e o turista vira costas para se ir embora.

Mal encarado o vendedor chama o turista e propõe com maus modos:
- Ok. 50 dinares e já estou a perder dinheiro! [Note-se a estupidez da coisa: os vendedores nunca perdem dinheiro, como é óbvio. Quando vêem que deixa de compensar simplesmente decidem não vender. Por isso esta lógica do vender uma coisa e dizer que está a perder dinheiro é fantástica... deve ser porque é um amigo nosso de infância que nos faz um preço especial, com certeza!]
- 10...
- 20!

E quando chega a este ponto há duas hipóteses:

a) O turista decide não comprar. O vendedor insulta-o, chama-lhe forreta, "português pobre", diz que "Portugal está na bancarrota" e que os portugueses são isto e mais aquilo...



b) O turista compra. Nesse caso o vendedor vende-lhe a mercadoria e depois insulta-o na mesma, chama-lhe forreta, "português pobre", diz que "Portugal está na bancarrota" e que os portugueses são isto e mais aquilo..."
E passamos a vida nisto. Mas quando digo que é para tudo é MESMO para tudo. E lá tudo pode ser vendido. Outro exemplo:

"Está um senhor a martelar numa coisa de ferro. Uma turista aproxima-se e pergunta:
- O que está a fazer com esse martelo? Parece giro...
- A gravar o nome numa pulseira. Quer uma pulseira com o seu nome em Árabe?
- Ah, não obrigada!
- Então a pulseira sem nome. Olhe é bonita!
- Não, a sério. Obrigada - diz a turista a tentar escapar-se.
- Mas veja mais coisas na loja! Compre! Olhe, aqui! - o vendedor deixa a peça que está a fazer e sai da loja atrás da turista, de martelo na mão - E o martelo? Compra o martelo! Bom preço, bom preço!"

Convencidos? Não?! Então vou contar-vos uma última para vos mostrar como é MESMO uma doença, este necessidade de regatear tudo...

"Estava eu na praia. Vem o animador do Hotel a gritar "Voleibol!!!". Levantei-me da toalha e fui jogar. Estava farto do convívio com tunisinos que passavam a vida a tentar enganar-me com estas negociações irritantes. Sim, queria um bom jogo de volei para descontrair. Com os turistas que não me iam tentar roubar.

Enganei-me. Faltavam dois jogadores e por isso tiveram de jogar dois tunisinos, um de cada equipa. A certa altura gera-se a confusão:
- 14/18. - diz um dos tunisinos.
- Não! Está 14/14!
- Nós temos 18!
- Mentiroso! Têm 14, estamos empatados!
- No máximo têm 15!
- No mínimo temos 17, aldrabão!
- 16, então?
- Combinado. 14/16!
- Ok. Podem jogar!

Não, não podiam. Ficou a faltar um jogador porque eu mal ouvi isto tive um ataque e só parei no mar, debaixo de água e sem ninguém a regatear à minha volta..."

Terça-feira, Outubro 13, 2009

Amália, por Jacinto


As comemorações geralmente chateiam-me. Mas no caso da actual comemoração dos não sei quantos anos da morte de Amália Rodrigues eu abro uma excepção. Graças a estas comemorações, os adoradores de Amália (entre os quais me incluo) podem ver na tv reposições de programas e gravações antigas da Diva, filmes, reedições da discografia oficial, enfim, um forró. Considero Amália Rodrigues uma das maiores personalidades artísticas de todos os tempos e, portanto, comemorações como esta vêm sempre a calhar a ainda sabem a pouco.

Penso, por vezes, nas razões do meu fascínio pela Amália. Não sei porque é que gosto tanto dela e se calhar nem quero saber. Sei que há algo naquela voz e naquela música que me atinge proundamente e isso chega. Acho que a Amália tem uma seriedade e uma gravidade muito especiais e a forma como poderei explicar melhor esse sentimento é uma recordação que tenho de criança:

Lembro-me, ou melhor, nunca me esqueci, de uma noite, era eu miúdo, em que a Amália foi cantar numa terra perto da minha. Eu não fui vê-la cantar (era mesmo muito miúdo) mas lembro-me da pessoas da minha terra a juntarem-se para irem ouvi-la. De repente, a praça central estava cheia de mulheres vestidas de preto, de lenços escuros à cabeça, gente que vinha da faina agrícola, que parecia ter saído de um outro tempo muito antigo. Também havia homens mas eu lembro-me sobretudo das mulheres pela gravidade das suas vestes.
Estas pessoas iam subindo para reboques de tratores e de camionetas agrícolas que partiam apinhadas. Todos queriam ver e ouvir a Amália, a grande cantora do povo! Mas o que eu retenho, ainda hoje, é que aquela gente não parecia ir para uma festa. As pessoas estavam sérias, graves, dir-se-ia que iam para uma missa ou para a celebração de um acto religioso. Parece que se preparavam para um ritual sagrado. o clima era muito diferente dessoutro que eu também conhecia e que era o ambiente das festas e dos arraiais aos quais nunca achei qualquer piada. Não havia euforia, nem alegria nem sequer tristeza: simplesmente um monumental sentimento de religiosidade. E era assim que os carros e os tratores apinhados de povo partiam para ver a Amália Rodrigues. Nunca esqueci aquele espectáculo e nem consigo imaginar o quão extraordinário seria assitir áquele concerto da Amália e do seu povo. Hoje, quando a ouço, é aquele mesmo sentimento dessa noite que reencontro na sua voz. E é por isso que eu gosto tanto da Amália Rodrigues.